cura espiritual

 

“Conhece-se a árvore pelos frutos que dá”. Matheus
(1ª parte)
Há nove anos fui contemplado com um convite que mudou em muito minha vida e meu modo de entender o que acontece ao derredor: fui chamado, pela querida irmãzinha Ângela Fontenelle, para trabalhar com a comitiva formada pelo médium João Berbel vindo de Franca-SP em visita a Fortaleza-CE.
Propunha-me no convite a auxiliar como médium de apoio na recepção nas macas aos atendidos nas cirurgias espirituais comandadas pelo Espírito Allonso e Allonso.
Confesso que fui, como bom mineirinho, desconfiado. Tinha já, por essa época, um ano na Doutrina Espírita. Era trabalhador como médium passista e estava participando do Grupo de Estudos Mediúnicos (GEM) no GEPE – Grupo Espírita Paulo e Estevão.
As reuniões de curas se davam no sítio, da acima aludida companheira, lá em Sabiaguába. O coordenador do evento era um dos meus monitores do GEM, companheiro Fábio Assunção. Durante três dias comparecemos a auxiliar.
Neste primeiro contato com as curas espirituais dediquei-me como aprendiz curioso, a observar as nuances tanto nas reações dos que lá iam buscar a cura quanto a dedicação dos companheiros que incansavelmente distribuíam o lenitivo da esperança. Foi foco também de minhas anotações o trabalho do médium de cura e dos diversos Espíritos que lá se apresentaram. Lembro-me de ter acompanhado um estudioso, Sésio, que eu adotaria no futuro como amigo, a fazer perguntas diretamente ao Espírito Dr. Alonso sobre o funcionamento da cura a nível perispiritual. Muito aprendi então.
Enfim, chegara sexta feira, terceiro dia e término dos referidos trabalhos quando fora oferecido aos trabalhadores a oportunidade de se exporem também, se necessárias, às curas. Preparei-me para a minha cirurgia e já estava na maca quando alguém pergunta ao coordenador se iria ter tratamento à distância.  Enquanto aguardava meu atendimento, procurei informações do que se tratava. Quando soube que aqueles que tinham pessoas distantes, que necessitassem de curas, poderiam fazê-las se recolhendo à sala contigua. Não contei dois tempos. Saí da maca. Embora sofresse há 15 anos da coluna com hérnia de disco e bico de papagaio preferi oferecer a oportunidade para minha mãe, morando em Juiz de Fora-MG, passando por séria crise de labirintite, sofrendo quedas e sentindo forte e constante apito nos ouvidos.
Terminada a sessão de curas à distância fomos chamados à prece final no salão principal. No entanto alguém lembrou ao médium João Berbel que os trabalhadores atendidos com problemas de coluna não teriam recebido, como de praxe, a segunda parte do tratamento que era o alinhamento da coluna. Dito e feito, todos os interessados se postaram em fila para o tal “tranco”.
Neste momento, sem eu saber por que, o Assunção me empurra para a tal fila. Eu não tinha comentado das minhas necessidades com ninguém. Fiquei sem graça de sair do local que o amigo me colocara. Ali fiquei e foi aplicada em mim somente a segunda parte da cirurgia espiritual.

Quatro dias depois, estando eu na lide de arrancar profunda raiz de uma árvore em minha casa, trabalho esse que eu fazia sentado ao chão, pois a coluna não permitia posição outra, minha esposa chegando à janela me chama para o almoço. Aqui começa meu espanto de iniciado nas lides espíritas. No momento de levantar-me do chão era necessário que uma outra pessoa me ajudasse pois a velha coluna não me permitia tal proeza. No entanto, não sei por que cargas d’água  levantei-me serelepe. Neste exato momento dei-me conta de que fui atendido pela espiritualidade e, com certeza sem os devidos merecimentos mas por pura misericórdia. Ato contínuo levei minhas mãos às costas e no local onde habitualmente eu sentiria dor, estava anestesiado. Estava eu próximo da janela onde há pouco minha esposa me chamara ao almoço. Ali ficava o aparelho telefônico. Tomei-o e imediatamente fiz ligação para Juiz de Fora. Do outro lado, minha irmã, Rita, que admirada pelo horário não entende quando lhe pergunto sobre a saúde da mamãe. Mais admirada ficou pela coincidência da minha curiosidade pois mamãe já havia três déias não sentia mais os zumbidos nem as tonturas próprias da antiga doença...

 

Paulo Chinelate

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